quinta-feira, 25 de abril de 2013

A CONFISSÃO, O PRESTAR CONTAS E A VIDA CRISTÃ




Tem um princípio das Escrituras, uma prática, que, hoje, se faz esquecida na vida cristã de muitos: É a prática da prestação de contas, do confessar pecados.
Pela nossa tradição evangélica brasileira, muitos, talvez, inconscientemente, não valorizam tal postura por achar que isso é uma prática católica e que não se deve confessar pecados a ninguém, exceto a Deus, pois somente Ele é perdoador de pecados - certamente, somente Deus perdoa pecados (Lc 5.21; 1 Jo 1.9-10; e vários outros).
Contudo, vemos exortações e mandamentos como do apóstolo Tiago: "Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz".
O prestar contas faz com que nós desnudemos a alma, abaixemos a guarda e exponhamos o monstro que habita em nós. Faz com que levemos nossos irmãos em Cristo aos cômodos da casa que nunca, "pela lei da boa vizinhança e da visita", levaríamos um visitante ou hóspede.
Oh, mas quão refrigerador é poder confessar pecados àqueles que compartilham de mesma fraqueza, ou que um dia já trilharam por tal luta e podem ser, com consolo e ação de Deus, usados para nos guiar nos vales.

Adverte-nos o autor de Eclesiastes:

"É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se! E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade" (Ec 4.9-11).
Como poderemos ser suporte um dos outros (Cl 3.13a: "Suportem-se uns aos outros...") se não soubermos ou expormos àquele que nos suportará o tamanho do fardo ser levado juntos.
Prestar contas faz com que nos abramos para a repreensão, consolação, exortação, amparo do Senhor por meio de irmãos em Cristo. Abre o livro que é guardado a sete chaves, no fundo da prateleira mais antiga, cheia de poeira e não ler-se-o sozinho mais, ao contrário, agora acompanhado, mostrando os borrões e marcas de café derramado sobre o livro. Abrimos para que outros opinem e mudem as frases.
Mas, é claro, isso não deve ser feito com qualquer um. Não é qualquer pessoa ou a todos que se deve abrir a alma. Tal ação é profunda demais para qualquer pessoa sem sabedoria e temor ao Senhor. Então, primeiramente, deve ser alguém que teme ao Senhor e o ama. Depois, alguém de notória maturidade espiritual e conhecimento das Escrituras, para que assim possa-se orientar corretamente, respaldado no verdadeiro e único manual de concerto. Alguém de confiança.
Infelizmente, muitas vezes, a cultura secularizada influencia mais aqueles que se autodenominam cristãos do que as próprias Escrituras (que é o manual de fé e prática dos reconciliados com Deus). E, nessa conjectura, temos uma cultura altamente individualista, na qual: "ninguém mete o bedelho em minha vida", "não devo nada a ninguém", "quem é você para dizer o que eu devo fazer?", "você não é melhor que eu e nem meu pastor"... e por ai vai os retruques infantis e insensatos. Tal mentalidade, diabólica, afasta-nos de piedosa prática.
Enfim, busquemos tal prática para que nossas vidas sejam conhecidas pelos irmãos de alma; para que Deus aja por meio de irmãos. Pecado escondido é pecado alimentado e bem cuidado. Tenho visto e vivido muito libertação na prática da confissão horizontal e na prestação de contas. Isso é Bíblico.
Christopher Vicente

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